5 Conselhos para criar um mundo de fantasia em que todos acreditarão

Publicado por Vilto Reis em

Mundo de fantasiaHá quem diga que lemos/escrevemos um mundo de fantasia para suportar a realidade.

Concorde com isso ou não, é fato que amamos essas histórias. Sua imaginação voa, como se resgatássemos algo perdido na infância.

Como escreveu Neil Gaiman em Coraline:

“Contos de fadas são mais que verdade; não porque nos dizem que dragões existem, mas porque eles nos dizem que dragões podem ser derrotados.”

Mas para que este tipo de história funcione, é importante se atentar a algumas coisas. Um mundo de fantasia é complexo e cheio de detalhes. Combinados à trama e personagens, na dose certa, é que funcionam ou não.

Então aprenda a criar um mundo de fantasia que pareça real para os leitores seguindo estes cinco passos:

 

Passo 1: Planeje os limites de seu mundo

Criar um mundo físico sólido e acreditável é o primeiro passo.

A razão pela qual alguns romancistas e leitores de fantasia parecem tão obcecados por mapas é porque o ato de mapear fisicamente o mundo fundamenta isso.

Você não precisa desenhar mapas. Você pode fazer anotações, mas o ponto é que você precisa ter uma noção do seu mundo como um lugar físico que tem limites.

 

Passo 2: Dê ao seu mundo de fantasia regras concretas

Só por ser fantasia não significa que seu mundo pode não ter regras. Ou simplesmente ter condições arbitrárias impostas a ele.

Manter a consistência em todo o mundo, construir e escrever é crucial. Essa adesão às regras irá permear todos os aspectos do seu mundo fictício. Para começar, certifique-se de que você é consistente em um sentido geral.

Se você está baseando seu mundo de fantasia em lendas ou história real, como a Europa medieval, o Japão feudal ou o folclore nativo-americano ou inventando-o inteiramente de sua própria cabeça, cada aspecto deve ser consistente com o mundo que você criou.

Se o seu mundo de fantasia possui uma tecnologia que parece estar fora de sintonia com seu background, você precisa ter uma boa explicação para isso. Seja mágica, intervenção de uma sociedade tecnologicamente mais avançada ou qualquer outra coisa.

 

Passo 3: Decida como os habitantes do mundo fictício falam

Outra coisa a ter em mente é o tom do seu livro.

Por exemplo, se está escrevendo um romance de alta fantasia mergulhado nas lendas celtas, você pode escrever de uma maneira que lembre a linguagem dos contos de fadas e lendas.

Seus leitores não necessariamente querem começar no mundo de J.R.R. Tolkien. Imagine, com suas raízes nas antigas sagas. De repente se encontram entre os assassinatos da série Game of Thrones, de George RR Martin.

Manter um tom consistente é fundamental para a credibilidade em todo o seu livro de fantasia.

Essa consistência reflete em seus personagens também. Os valores do mundo vão motivar seus personagens. Em um mundo onde honra e lealdade são consideradas de maior importância, os personagens tendem a se comportar de maneira diferente daqueles em um mundo onde o poder e a acumulação de riqueza são mais valorizados.

Claro, você pode criar personagens cujos valores diferem significativamente dos do seu mundo, mas essa diferença é provavelmente uma fonte de conflito.

 

Passo 4: Planeje sistemas mágicos, religiosos, sociais e políticos

A maior parte da fantasia envolve magia. No entanto, as regras são importantes aqui também.

Você pode criar qualquer tipo de sistema mágico. A chave  é que ele precisa ser algum tipo de sistema. Quer se baseie em números, plantas, palavras ou qualquer outra coisa, quer os personagens estudem durante anos para se tornar proficientes nela ou tenham nascido com a habilidade, ela precisa ser consistente.

Ou seja, os personagens não podem de repente desenvolver novas habilidades ou sair desse sistema.

 

Passo 5: Como criar um mundo de fantasia em que as pessoas acreditam: a importância do enredo

A chave para criar um mundo de fantasia acreditável é ter em mente que ‘fantasia’ não significa ‘vale tudo’.

Além de manter regras e consistência em mente, como mencionado acima, a história também não pode confiar em um deus ex machina para resolver seus conflitos apenas porque é fantasia.

Deus ex machina é a frase para um dispositivo de enredo que aparentemente surge do nada. Isso pode ser feito de forma desajeitada ou mais eficaz.

Alguns argumentaram que o resgate das águias de Sam e Frodo em o Retorno do Rei, de Tolkien, é um deus ex machina.

Outro exemplo seria a intervenção freqüente dos deuses no mito grego. Os leitores contemporâneos podem aceitar o primeiro, mas ficariam frustrados com o segundo. O uso de um deus ex machina é sempre arriscado, pois pode esticar a suspensão da descrença que pode afastar os leitores.

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O que você achou dessas dicas? O que leva em conta na hora de criar um mundo de fantasia?

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Traduzido e adaptado do site Now Novel.


Vilto Reis

VILTO REIS é autor de Um gato chamado Borges, livro finalista do Prêmio SESC 2015, e da monografia As teorias narrativas de Hitchcock aplicadas à Psicose. Tem contos publicados nas revistas Pulp Fiction, Flaubert, Raimundo, Pluriversos e no portal hispânico CuentoColectivo. Faz leituras críticas de originais e atua como coaching literário. Também é idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do podcast 30:MIN e de inúmeras séries de vídeos no Youtube.