A inspiração as vezes parece que sumiu.

Chegou o momento, à noite, depois de um dia de trabalho. Você está cansado, mas separou talvez uma hora para escrever um pouco antes de dormir. Afinal, é o seu sonho. Ser um escritor. Ter um livro publicado.

Mas hoje, por algum motivo, a inspiração não vem.

Você sabe o que quer escrever. Já pensou na história toda. Ou pelo menos em algumas parte. E ao olhar a tela e ver o cursor do editor de textos piscando a confiança pode ir embora.

E no dia seguinte?

No ônibus ou no metrô indo para o trabalho? Você está olhando pela janela pensando na história, e de repente. Genial. Você não pode esperar para chegar em casa de noite, ter um pouco de descanso e escrever o que acabou de pensar.

Essa situação é difícil e parece que sua criatividade está de implicância com você. Muitas vezes, por conta disso, vem na cabeça a pergunta:

Inspiração ou técnica?

A verdade é que a resposta provavelmente é os dois. Porque francamente, um dificilmente funciona sem o outro.

E ainda mais, algumas pessoas podem ter um facilidade mais natural para escrever enquanto outras precisam se esforçar para aprender. O mesmo acontece com atletas. Alguns tem o dom natural, outros conseguem ter um alto rendimento simplesmente por passar horas treinando, compensando com muito esforço. Mas os melhores, fazem os dois.

Continue lendo este artigo para entender como a técnica pode ajudar você a usar ainda mais sua inspiração!

 

As facilidades de boas técnicas

Inspiração e técnica são como o seviço do carpinteiro. Exigem dedicação, talento e habilidades únicas.

Inspiração e técnica são como o serviço do carpinteiro. Exigem dedicação, talento e habilidades únicas.

Escrever certamente não é tão fácil quanto parece. Não é simplesmente colocar ideias no papel. Dá muito trabalho e é necessário muita atenção.

Por exemplo, em um livro enorme, com muitos personagens e uma história complexa, é preciso lembrar o nome, a característica e a aparência de cada um deles. Uma técnica que pode ajudar, é usar um arquivo separado como um resumo para consultas. Isso facilita bastante no momento de não se perder.

Outra abordagem que pode ajudar, além de ser divertida, é escolher atores para interpretar os personagens, como se fosse um filme. Isso ajuda a lembrar mais facilmente deles e o recurso visual, os torna mais reais.

Mas o benefício do uso das técnicas é criar o hábito de escrever. É treinar o seu cérebro, para ele estar capaz de responder no momento de sentar diante do computador, do papel ou da máquina de escrever. Separar algumas horas para essa atividade é fundamental para criar esse hábito, mesmo que não saia uma única palavra.

Leia também:

Um outro aspecto importante, é não se preocupar muito com a ordem. Você não precisa começar pelo começo e terminar pelo fim.

Teve uma boa ideia? Aproveite a inspiração.

Escreva um capítulo, mesmo que não tenha conexão com o resto da história.

A técnica existe para elevar a sua criatividade, não sufocá-la.

Elas têm o objetivo de ajudar no momento de usar sua criatividade. Por exemplo, você está escrevendo uma história e pensou em um personagem que não se encaixa de maneira nenhuma. Não pense em abandoná-lo ou deixar para escrever depois. A inspiração pode ir embora e, com ela, a chance de melhorar ainda mais a sua história. Trabalhe nesse personagem, pois pode ser que ele possa fazer parte da narrativa depois. Não tenha medo. 

Por isso, o número de técnicas para escrever bem é alto. Mas estamos aqui para ajudar. Para saber mais um pouco sobre elas, baixe o ebook com conselhos para escritores ou confira o nosso curso para escritores iniciantes.

 

Não deixe a história passar

Anote suas ideias no celular ou em bloquinhos de anotações.

Anote suas ideias no celular ou em bloquinhos de anotações.

Esta é uma dica fundamental. E existem algumas formas de alcançar esse objetivo.

Sabe o exemplo do metrô? Quando surgir uma ideia genial? Por mais que seja difícil escreva alguma coisa. Carregue um bloco de papel, ou use o celular. Não importa. Se estiver no trabalho ou na aula, vá ao banheiro.

Não é preciso traçar a história toda ou muitos detalhes, escreva rapidamente o básico, o suficiente para conseguir dar continuidade depois.

Por exemplo, pensou em um personagem, responda algumas perguntas como: o que ele pensa, qual é a motivação, qual é a ideia central, o que ele quer, o que ele sofre. Algumas poucas palavras podem ser o suficiente.

Não confie 100% em sua mente para lembrar, pois as vezes ela te prega peças.

 

Respeite-se

Conheça seus limites e aproveite melhor seu tempo sem forçar demais. A inspiração virá com o autoconhecimento.

A inspiração virá com o autoconhecimento.

Se existe uma única coisa que um aspirante a autor precisa saber, é isso.

Caso esteja muito cansado, mesmo durante o momento em que separou para o seu tempo de escrita diária, e não consegue seguir ainda. Não force.

Isso é receita para o fracasso.

Além de criar uma sensação negativa que pode diminuir o seu ímpeto de escrever no futuro, vai levar a frustrações e questionamentos que não têm cabimento.

Mas o respeito é uma via de mão dupla. Se você se preocupar em não escrever quando não consegue, também se esforce para escrever quando a inspiração vem. Isso muitas vezes é impossível, devido a obrigações de trabalho ou estudos, mas as vezes deixar de ir no futebol para escrever não é um absurdo tão grande quanto parece.

Se respeitar também, não é apenas entender a sua vontade e agir de acordo. É também ter um olhar de respeito para suas habilidades. Muita gente tem dificuldade em se ver como um escritor, especialmente em comparação com os grandes. Mas você merece esse respeito.

Veja-se como um escritor. Mesmo não tendo nenhum livro publicado ainda, o interesse e as ideias é o ponto por onde todos os escritores, inclusive os maiores começam.

Você já está lá.17

***

Gostou deste texto? Então assine nossa newsletter para não perder nenhum artigo. E comente abaixo: você só escreve quando fica inspirado? Já passou por um bloqueio criativo? Conte sua história!


Vilto Reis

VILTO REIS é autor de Um gato chamado Borges, livro finalista do Prêmio SESC 2015, e da monografia As teorias narrativas de Hitchcock aplicadas à Psicose. Tem contos publicados nas revistas Pulp Fiction, Flaubert, Raimundo, Pluriversos e no portal hispânico CuentoColectivo. Faz leituras críticas de originais e atua como coaching literário. Também é idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do podcast 30:MIN e de inúmeras séries de vídeos no Youtube.