Ernest Hemingway foi um dos maiores escritores de todos os tempos. Agora imagine aprender a ser escritor com ele.

Não à toa me interesso tanto por suas dicas. Separei 27 delas para você que deseja aprender com o mestre.

Confira neste texto:

  • Livros, biografia e morte – um pouco de quem foi Hemingway
  • Hemingway seria sucesso na internet
  • 27 Dicas preciosas de Ernest Hemingway para SER ESCRITOR

 

Livros, biografia e morte – um pouco de quem foi Hemingway

Ernest Hemingway amava gatos

O que eu não daria para escrever livros como O Sol Também Se Levanta, Adeus às Armas, Por Quem os Sinos Dobram ou O Velho e o Mar.

Em 1954, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, com a seguinte justificativa:

por sua maestria da arte narrativa, mais recentemente demonstrada em “O Velho e O Mar”, e pela influência que exerceu no estilo contemporâneo.

Sem falar que o cara inventou o Mojito (baita drinque saboroso!).

E esta vida mais ativa, por assim dizer, reflete-se em seus livros, até mesmo com o que fez no dia 2 de julho de 1961, na cidade de Ketchum, Idaho, quando colocou o cano de um fuzil de caça na boca e apertou o gatilho.

Se você quiser um bom documentário sobre a vida de Hemingway, Papa (2016, dirigido por Bob Yari) é uma boa dica.

Vamos nos concentrar em coisas boas! Já pensou em como Hemingway seria na internet?

 

Ernest Hemingway seria sucesso na internet

Ernest Hemingway pescando

Sabe no que fico pensando?

Polêmico, enérgico e dono de uma literatura única, o “papa” bombaria nas redes sociais se estivesse entre nós hoje.

Muitos o teriam por um riquinho mimado e não focariam no grande escritor que era.

Ernest Hemingway curtia touradas, pescaria de em alto mar e caça a grandes feras nas savanas africanas.

(Imagine o Instagram desse cara)

Mas como o cara encontrava tempo para escrever?

Bom, talvez encontremos a resposta para esta pergunta nas dicas para escrever que você encontra logo abaixo.


 

27 Dicas preciosas de Ernest Hemingway para SER ESCRITOR

Ernest Hemingway escrevendo

1) Escrever bem é escrever sinceramente. Se um homem está escrevendo uma estória, será verdadeiro e sincero em proporção à soma de conhecimentos da vida que ele possui […]. Se ele não souber como muitas pessoas agem e pensam, como se processam os seus pensamentos e ações, a sua boa estrela poderá poupá-lo por algum tempo ou talvez possa escrever estórias da carochinha. Mas se continuar escrevendo sobre aquilo que não conhece, acabará por descobrir que não passa de uma fraude, de uma mistificação.

2) Escrever a lápis dá a você a possibilidade de ver o seu trabalho três vezes. Para certificar-se de que está realmente comunicando ao leitor aquilo que você lhe quer dar. Primeiro, quando lê o que escreveu; depois, quando o original é datilografado, tem nova oportunidade para aperfeiçoá-lo e, finalmente, na prova tipográfica.

3) O melhor é parar sempre quando o negócio está saindo bem e você sabe o que irá acontecer a seguir. Se você fizer isso todos os dias, quando está escrevendo um romance, nunca ficará engasgado num beco sem saída. […] Desta maneira, o seu subconsciente estará trabalhando ativamente em torno do assunto o tempo todo.

4) É inútil escrever qualquer coisa que já tenha sido escrita antes, a menos que você possa superá-la. O que um escritor tem a fazer, no nosso tempo, é escrever o que não foi escrito antes ou bater os escritores mortos naquilo que fizeram. A única maneira que ele tem de saber se vai andando bem é competir com os mortos. A maioria dos escritores vivos não existe. […] É como um corredor de milha fazendo o percurso contra-relógio em vez de tentar, simplesmente, bater quem estiver correndo na pista com ele. Se não correr contra o tempo, nunca saberá o que é capaz de atingir.

5) Comece muito tranquilo e ganhe de Turgueniev. Depois entre muito dorte e ganhe de Maupassant. Após empatar duas vezes com Stendhal, na última luta creio que haja uma pequena vantagem. Ninguém conseguirá subir no ringue de boxe com Tolstói, a menos que esteja louco e siga melhorando.

6) Observe o que acontece hoje. Se encontrarmos um peixe, observe exatamente o que cada um faz. Se sentir um súbito alvoroço, uma excitação peculiar, quando vir o peixe saltar fora da água, reconstrua todas as suas recordações até perceber exatamente qual foi a ação que provocou em você aquela emoção.

7) Depois meta-se na cabeça de outra pessoa, para variar. Se eu berrar com você, procure imaginar tanto o que é que eu estou pensando como o que você sentiu quando eu berrei.

8) Quando as pessoas falam você deve escutá-las completamente. Não fique pensando no que vai responder, no que deve dizer a seguir. A maioria das pessoas não ouve. Você deve estar capacitado para entrar numa sala e, quando sair, saber tudo o que ali viu e não só isso. Se essa sala lhe despertou algum sentimento, deverá saber exatamente o que foi que lhe deu esse sentimento.

9) Às vezes, quando tenho dificuldades em escrever, leio meus próprios livros para levantar-me o ânimo, e depois recordo que sempre foi difícil, as vezes quase impossível escrevê-los.

10) Evite o monumental. Recuse o épico. O indivíduo que pode pintar quadros enormes muito bons, pode pintar quadros pequenos muito bons.

11) Queria escrever como Cezanne pintava. Cezanne começou com todos os truques. Então ele destruiu tudo e realmente começou.

12) Evita o uso de adjetivos, especialmente os extravagantes como “esplêndido, grandioso, magnífico, suntuoso.”

13) Escreve frases breves. Começa sempre com uma oração curta. Utilize uma linguagem vigorosa. Seja positivo, não negativo.

Ernest Hemingway lutando boxe

14) Um escritor, se serve, não descreve. Inventa ou constrói a partir do conhecimento pessoal ou impessoal.

15) A seriedade absoluta no que está escrito é uma das duas necessidades categóricas. O outro, infelizmente, é o talento.

16) O problema que tem um escritor não se altera. Ele mesmo muda, mas seus problemas permanecem os mesmos. É sempre sobre como escrever com sinceridade e, uma vez encontrado o que é verdadeiro, projete-o de tal forma que se torne parte da experiência da pessoa que o lê.

17) Para escrever, volto para a antiga desolação do quarto do hotel onde comecei a escrever. Diga a todos que você mora em um hotel e fique em outro. Quando eles o localizam, vá para o campo. Quando eles o localizam no campo, mude para outra parte. Trabalhe o dia todo até ficar tão cansado que todo o exercício que você pode enfrentar é ler os jornais. Em seguida, coma, jogue tênis, mergulhe ou faça algum trabalho que o deixe só apenas para manter seus intestinos em movimento e, no dia seguinte, você escreve novamente.

18) Minha tentação é sempre escrever demais. Eu mantenho isso sob controle, então eu não preciso cortar palha e reescrever. Indivíduos que pensam que são gênios porque nunca aprenderam a dizer não a uma máquina de escrever, são um fenômeno comum.

19) É melhor ler tudo todos os dias desde o início, corrigindo como você vai, então vá para onde você parou no dia anterior. Quando isso for feito por tanto tempo que você não pode fazê-lo todos os dias, releia dois ou três capítulos por dia; Então lê tudo desde o início todas as semanas. É assim que você faz tudo de uma só vez.

20) Escrevo uma página maestral por cada noventa e uma de merda. Tento jogar toda a merda no lixo. O presente mais essencial para um bom escritor é ter um detector de merda interno. É o radar do escritor e todos os grandes têm tido isso. Se você vai escrever, você precisa descobrir o que não funciona para você.

21) Quando um escritor escreve uma romance, ele deve criar pessoas vivas; pessoas, não personagens. As pessoas de um romance, e não os personagens construídos com habilidade, devem ser projetados a partir da experiência assimilada do escritor, de seu conhecimento, de sua cabeça, de seu coração e de todos os seus.

22) O importante é trabalhar todos os dias. Trabalho das 7 até o meio dia. Então vou pescar ou nadar ou qualquer outra coisa que eu queira.

23) Um escritor aspirante deve sair e vive se ele acha que a escrita é impossivelmente difícil. Então ele deve ser despedaçado sem piedade e forçado por ele mesmo a escrever o melhor que puder para o resto de sua vida. Pelo menos ele terá a história de sua vida para começar.

24) O jargão que você adota deve ser recente, caso contrário não funciona.

25) Nunca pense sobre a história quando você não está trabalhando.

26) Para começar, escreva uma frase verdadeira.

24) Pelo amor de Deus, escreva e não se preocupe com o que os outros vão dizer, ou se será uma obra-prima ou o que.

***

As dicas abaixo de Ernest Hemingway estão no livro Tempo de Viver, publicado no Brasil em 1969 pela editora Civilização Brasileira com tradução de Álvaro Cabral.

E se você quer mesmo evitar os principais erros de quem começa a escrever, indico nosso curso gratuito aqui da RUSGA: 10 Erros de Escritores Iniciantes.

Leia também: Escrever ficção – 12 Conselhos de Gabriel García Márquez

Qual foi sua dica preferida de Ernest Hemingway? Comente no post e compartilhe com mais alguém!


Vilto Reis

VILTO REIS é autor de Um gato chamado Borges, livro finalista do Prêmio SESC 2015, e da monografia As teorias narrativas de Hitchcock aplicadas à Psicose. Tem contos publicados nas revistas Pulp Fiction, Flaubert, Raimundo, Pluriversos e no portal hispânico CuentoColectivo. Faz leituras críticas de originais e atua como coaching literário. Também é idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do podcast 30:MIN e de inúmeras séries de vídeos no Youtube.