Cada escritor tem sua trajetória pessoal. Meu objetivo aqui é compartilhar com você como superei a depressão e o pessimismo. E ainda como consegui publicar meu primeiro livro: Um gato chamado Borges!

Leia até o final se você procura uma história para se inspirar e voltar a escrever seu livro abandonado. Ou começar a escrever aquela ideia que você tem.

 

“Não sirvo para ser escritor”, sempre achei

Isso mesmo. Ninguém na minha família lê ficção. Sempre fui péssimo em gramática na escola. Peguei recuperação umas quatro vezes. E cresci em uma comunidade de periferia. Ou seja, meus amigos sequer pensavam em ler.

Quer mais? Nunca escrevi um diário. Dos 12 aos 16 anos, não li uma linha de ficção. E nesta idade, quando voltei a ler, alternei entre livros de autoajuda e religião. Não fiz faculdade de letras ou jornalismo.

E o pior de tudo isso: nunca acreditei em mim. Sempre me achei a pior pessoa do mundo. Nada do que fazia era bom o suficiente. Entrei em depressão.

Parece uma história de derrota, certo? Vou contar então como as coisas começaram a dar certo!

 

O que me levou a começar a escrever

Em 2010, entrei na faculdade de Publicidade & Propaganda. Não esperava pelo que ia acontecer. Queria aprender design, mas logo comecei a me envolver com redação publicitária.

Naquela época, meu professor passou uma lista de livros para quem trabalha com comunicação. Na mesma aula, ele disse: “nós lemos para roubar palavras dos outros.”

Nunca esqueci esta frase (continuo ladrão).

Também naquela fase, comecei a ouvir o Nerdcast – mal sabia eu que um dia também teria um podcast, o 30:MIN. Conheci a história do Eduardo Spohr, o que me marcou muito. Um escritor brasileiro vivo, humilde com uma trajetória espetacular – A Batalha do Apocalipse vendeu mais de 600 mil exemplares, segundo O Globo.

Para completar, fui trabalhar em uma agência de publicidade, onde fiz a melhor escolha da minha vida.

Um passo importante para me tornar escritor.

 

Meu blog, minha vida – Homo Literatus

Setembro de 2011, meu amigo Alan Boos e eu fomos ao Festival de Publicidade de Gramado. Assisti a palestra Vai lá e faz, do Tiago Mattos, sócio-criador da Perestroika (tem um vídeo dele em um TEDx. Recomendo!).

Voltei de Gramado com uma ideia na cabeça. Vou criar um blog. Estou escrevendo pouco na agência.

Joguei a ideia no Facebook. Seis amigos meus se voluntariaram a escrever. E assim começou a história do Homo Literatus. Hoje um dos maiores sites literários do país.

Como isso influenciou meu lado escritor? Simples, passei a ler muito e escrever sobre o que li. Fiquei muito mais crítico com os textos. E escrevia todos os dias.

Até que vieram as cobranças.

Antes vou falar como escrevi meu primeiro livro. Depois explico as cobranças.

 

Como escrevi meu primeiro livro

Li em Como escrever um conto, de Gabriel Garcia Márquez, que o escritor deve escrever todas as histórias sobre si mesmo. Só depois escrever ficção.

Mas isso aconteceu só depois de eu ter tentado escrever contos de terror, uma trilogia de fantasia e um romance de ficção científica. Só então, comecei a contar as minhas histórias. Todas péssimas e com protagonistas que não passavam de cópias ruins de mim mesmo.

Joguei uns cinco romances foras até acertar. E o que me levou a acertar?

Parei de me levar a sério. Não ia escrever o próximo clássico. Apenas um livro que eu gostaria de ler, debochado.

Planejei um romance, escrevi a primeira versão em 22 dias e, quando acabei, sabia que seria meu primeiro livro. Foi um jorro. Parece que tudo que tinha escrito até então foi para chegar a este livro: Um gato chamado Borges.

E aí começaram as cobranças!

 

Como publicar um livro?

Leitores do site e ouvintes do podcast começaram a me cobrar. Cadê seu livro, Vilto?

Revisei muitas vezes este Gato. Passei para leitores amigos. Depois resolvi enviar para o Prêmio SESC de Literatura e acabei sendo um dos finalistas.

Lembra do cara que não nasceu para ser escritor? Apesar de todas as palavras de apoio, eu ainda não acreditava em mim. Mas ser finalista de um prêmio assim, mostrou que eu estava errado. Agora eu tinha um atestado de qualidade.

Foi aí que resolvi enviar para editoras. Foram 16. E para agentes. Mais 5. Ninguém quis me publicar, mesmo sendo finalista do SESC.

Uma mudança importante havia acontecido.

Com todos os projetos dando certo, mais ter sido finalista do SESC, passei a acreditar em mim. Minha escrita estava dando frutos. Em conjunto com Maik Barbara, tomei uma decisão drástica. Criar uma editora e publicar meu livro a por meio de uma campanha no Catarse.

E o pessoal que estava me cobrando? Virei o jogo. Pedi para eles me ajudarem.

E deu certo. A campanha foi um sucesso. Criamos a Editora Nocaute, gerando oportunidades para novos escritores ainda não-publicados e publicamos meu Um gato chamado Borges

Vilto Reis - Publicar livro - Um gato chamado Borges

Foto por Débora Soares

O que aprendi ao publicar meu primeiro livro?

(Outra hora, vou me deter mais neste ponto)

Aprendi que vale à pena todo esforço. E que talento é importante, mas persistência é mais. Fiz muitas oficinas literárias e busquei aperfeiçoamento. Passei horas com a bunda colada na cadeira escrevendo.

Porém a felicidade de ver o livro impresso, em mãos, superou tudo isso.

E agora tenho o prazer de compartilhar esta e outras experiências com vocês aqui na RUSGA – Cursos Para Escritores.

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Aliás, aproveite para conhecer o curso 10 Erros de Escritores Iniciantes e evite alguns erros que eu mesmo cometi.


Vilto Reis

VILTO REIS é autor de Um gato chamado Borges, livro finalista do Prêmio SESC 2015, e da monografia As teorias narrativas de Hitchcock aplicadas à Psicose. Tem contos publicados nas revistas Pulp Fiction, Flaubert, Raimundo, Pluriversos e no portal hispânico CuentoColectivo. Faz leituras críticas de originais e atua como coaching literário. Também é idealizador do site Homo Literatus, além de apresentador do podcast 30:MIN e de inúmeras séries de vídeos no Youtube.